Falência e dívida de R$35 milhões: Supermercado sucumbe perto de completar 100 anos

Ilustração de falência de supermercado (Foto Reprodução/Montagem/TV Foco/Canva/GMN/Logos/Lennita)
Tradicional rede de comércio, incluindo na área de supermercados, emite nota oficial de despedida e fecha todas as portas após colapso financeiro irreversível
A falência do Grupo Breithaupt, o qual possuía até rede de supermercado em seu guarda-chuva empresarial, marcou o fim de uma era no varejo de Santa Catarina.
Com uma dívida acumulada de R$ 35 milhões e um resultado operacional negativo de R$ 165 mil por mês, a gigante do comércio catarinense, que iniciou sua história em Jaraguá do Sul em dezembro de 1926, sucumbiu diante da inviabilidade financeira.
De acordo com informações do portal SA, o colapso definitivo ocorreu após o fracasso de aportes financeiros previstos de R$ 1,8 milhão por dois fundos de investimento, inviabilizando o cumprimento do plano de recuperação judicial homologado anteriormente.
Trajetória de expansão e colapso
O Grupo Breithaupt construiu grande parte de sua história com base no pioneirismo e na diversificação de marcas.
No auge de suas operações, o conglomerado familiar atuou em múltiplos segmentos do varejo, gerenciando, além de redes de supermercados:
- Lojas de departamentos;
- Loja de eletromóveis;
- Rede de autocenters ViaBR;
- Até shopping center.
Contudo, pressões de mercado e crises financeiras que se agravaram significativamente com a pandemia da Covid-19 no início de 2020 forçaram a empresa a passar por sucessivas reestruturações e vendas de ativos estratégicos ao longo dos anos:
- 2013 (Supermercados): O grupo vendeu suas cinco unidades de supermercados para a Cooperativa de Produção e Abastecimento do Vale do Itajaí (Cooper), desativando o braço alimentício para focar exclusivamente no setor de materiais de construção, máquinas e ferramentas;

- 2015 (Home Center): Inauguração de um moderno home center de materiais de construção e ferramentas na cidade de Timbó (SC);
- 2015/2016 (Shopping Center): O Shopping Breithaupt, inaugurado originalmente em 1999 no centro de Jaraguá do Sul, foi vendido para o Grupo Tenco, de Minas Gerais. Posteriormente, o empreendimento trocou de mãos novamente em 2022, sendo adquirido pelo grupo Partage;
- 2018 (expansão final): Como parte do plano de recuperação, a rede inaugurou sua 23ª loja em Joinville (SC), buscando retomar o fôlego operacional.
A transição do plano de recuperação judicial para o pedido de autofalência foi precipitada por uma deterioração rápida dos indicadores operacionais da empresa. Em seus meses finais, a escala do negócio já havia encolhido drasticamente:
- Passivo total (dívidas): R$ 35.000.000 acumulados.
- Déficit operacional mensal: Prejuízo de R$ 165.000 a cada 30 dias.
- Aportes frustrados de fundos: Quebra de expectativa de R$ 1.800.000.
- Dívidas extraconcursais: Registrou um aumento severo de 47% até o período final.
- Faturamento médio mensal restante: R$ 475.000,00.
O que o Grupo Breithaupt disse sobre seu encerramento?
A direção do Grupo Breithaupt buscou conter a crise por meio de medidas administrativas rigorosas, incluindo o corte de despesas, renegociação de contratos com fornecedores e tentativas de liquidação de ativos remanescentes.
No entanto, no documento oficial enviado ao Poder Judiciário, os representantes legais admitiram a completa impossibilidade de cumprimento do plano de recuperação judicial e a impossível continuidade das atividades diante de uma inviabilidade econômica, financeira e patrimonial do negócio.
O encerramento definitivo das atividades foi chancelado com pareceres favoráveis do administrador judicial e do Ministério Público.
A justificativa jurídica serviu para blindar o patrimônio restante e evitar o agravamento descontrolado do passivo, protegendo a ordem dos credores, colaboradores e parceiros comerciais.
O grupo utilizou seus canais de comunicação digital para publicar uma nota oficial de despedida direcionada à comunidade catarinense, ressaltando os quase 100 anos dedicados a servir com qualidade e respeito.
A direção informou que enfrentou grandes desafios econômicos e estruturais e, apesar de todos os esforços para reverter esse cenário, chegou ao momento em que a decisão mais responsável foi o encerramento das atividades.

Como funciona o processo de falência?
O processo de falência de uma empresa aciona as diretrizes da Lei nº 11.101/2005. A partir da decretação judicial, as atividades comerciais são integralmente paralisadas e o patrimônio da empresa é arrecadado pelo administrador judicial para posterior leilão.
Os valores obtidos com a venda dos bens seguem uma ordem estrita de preferência para o pagamento de credores, em que as verbas de natureza trabalhista, como salários e rescisões dos funcionários, detêm a prioridade legal absoluta frente aos créditos tributários e quirografários.
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