Imprevisto médico com titular na Copa de 1986 abriu espaço para a primeira narração da Seleção por Galvão Bueno em Mundiais

Muitos nem sequer imaginam, mas uma crise severa de hemorroidas enfrentada pelo então narrador titular Osmar Santos mudou drasticamente o rumo da carreira de Galvão Bueno na Globo durante a Copa do Mundo de 1986, no México.

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Esse episódio, um tanto inusitado, abriu caminho para que ele narrasse a Seleção Brasileira em um Mundial pela primeira vez.

Além disso, a proposta histórica revela que a ascensão de Galvão Bueno ao posto de voz oficial do esporte brasileiro ocorreu em meio a um imprevisto médico de bastidores e a uma severa disputa de poder na alta cúpula da emissora.

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Galvão Bueno tem fortuna faraônica (Foto: Divulgação/TV)
Galvão Bueno (Foto: Reprodução/YouTube/Amazon Prime)

Embora escalado originalmente como a segunda opção para o torneio, Galvão assumiu o microfone principal na segunda partida do Brasil após o titular ficar incapacitado.

De acordo com o portal Na Telinha, isso consolidou uma performance que redefiniu sua trajetória profissional pelas décadas seguintes até seu retorno atual, na Copa de 2026, pelo SBT.

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Bate-boca e divergências

Contratado pela Globo em 1981, Galvão Bueno era visto internamente como o sucessor natural de Luciano do Valle, que migrou para a BAND após a Copa de 1982.

No entanto, a direção da emissora optou por investir pesado em Osmar Santos.

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O “Pai da Matéria”, como Osmar era conhecido, vivia o ápice absoluto de sua popularidade nacional: comandava o Globo Esporte, a atração Guerra dos Sexos e havia sido uma das vozes mais marcantes do movimento político das Diretas Já, em 1984.

Essa escolha dividiu a diretoria da emissora em duas alas irreconciliáveis.

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Osmar Santos na época de locutor/ Atualmente (Foto Reprodução/Montagem/TV Foco/ Globo/YouTube)
Osmar Santos na época de locutor/ Atualmente (Foto Reprodução/Montagem/TV Foco/ Globo/YouTube)

Em junho de 2015, em entrevista ao blog UOL Esporte vê TV, o narrador Luiz Alfredo, que integrou aquela equipe no México, expôs com precisão a divisão interna dos bastidores:

“A Globo apostou em Osmar Santos. Ele foi ser o primeiro narrador, o Galvão passou a ser o segundo e eu fui o terceiro. Houve muito bate-boca, muita confusão, mas eu fiquei de fora. O Armando Nogueira era a favor do Galvão e o Boni a favor do Osmar.”

Com a preferência de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni), Osmar Santos foi confirmado como o locutor número um do México, cabendo a Galvão Bueno apenas a narração da cerimônia de abertura.

Osmar transmitiu o jogo inaugural do torneio e a estreia da Seleção Brasileira, que venceu a Espanha por 1 a 0.

“Todo o tempo em tratamento”

O desenho inicial da cobertura desmoronou devido a um problema de saúde de Osmar Santos.

Conforme registrado na obra biográfica Osmar Santos – O Milagre da Vida, de autoria de Marco Mora, o narrador titular foi acometido por uma crise aguda de hemorroidas logo após desembarcar em solo mexicano.

O problema inviabilizou sua presença física nas cabines de transmissão da primeira fase do torneio:

“Quando chegou ao México, ele [Santos] teve uma crise de hemorroidas, ficou quase todo o tempo em tratamento no hotel.”

Diante da emergência, a direção da Globo acionou Galvão Bueno, que ostentava um característico e estiloso bigode na época, para assumir o posto de titular no segundo jogo do Brasil na Copa, contra a Argélia.

A partida terminou com nova vitória brasileira por 1 a 0 e cravou o marco histórico da primeira transmissão de um jogo da Seleção em Mundiais realizada por Galvão.

Osmar Santos chegou a se recuperar e retornou ao microfone da emissora nas partidas subsequentes, comandando o jogo que culminou na eliminação brasileira diante da França.

No entanto, sua ausência forçada alimentou rumores nos bastidores. De acordo com o livro de Marco Mora, muito se cogitou na época que sua ausência tivesse sido causada pelas fortes discordâncias internas da diretoria.

Dados históricos:

Conforme destacamos, a oportunidade temporária permitiu que Galvão Bueno apresentasse um desempenho técnico amplamente elogiado pela imprensa especializada, rivalizando diretamente com os índices de audiência da concorrência:

  • Estreia de Galvão Bueno na Seleção: Ocorreu no confronto Brasil 1 x 0 Argélia, válido pela segunda rodada da Fase de Grupos da Copa de 1986;
  • Avaliação do Jornal do Brasil (29/06/1986): A crítica da época destacou que, nas transmissões dos jogos, a melhor narração continuou a ser, de longe, a de Luciano do Valle, na Bandeirantes, seguido bem de perto por Galvão Bueno, na Globo;
  • Status de Osmar Santos pós-Copa: O narrador deixou a Rede Globo pouco tempo depois do término do Mundial, transferindo-se para a Rede Manchete;
  • Consolidação de titularidade: Com a reviraviravolta, Galvão assumiu o posto principal da Globo de forma absoluta de 1990 a 2022, sofrendo apenas um breve hiato na Rede OM entre os anos de 1992 e 1993.

Galvão Bueno passou a liderar as transmissões das campanhas brasileiras nos Mundiais de 1990, 1994, 1998, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e teve sua última pela Globo em 2022.

Já a trajetória de Osmar Santos foi tragicamente interrompida em 1994 por um grave acidente automobilístico no interior de São Paulo, resultando em danos cerebrais que o afastaram permanentemente do rádio e da TV.

Atualmente, Osmar atua profissionalmente com grande sucesso como artista plástico e pintor.

O que Galvão Bueno faz em 2026?

Embora a Copa do Mundo do Catar em 2022 tivesse sido anunciada como a despedida de Galvão Bueno das narrações de Mundiais, os planos editoriais foram completamente reformulados.

Contratado pelo SBT, Galvão Bueno reassumiu as transmissões da Seleção Brasileira em 2026, comandando na TV aberta os confrontos diante de Marrocos e Haiti, com escala confirmada para o duelo decisivo contra a Escócia.

Galvão Bueno (Foto: Reprodução / SBT)
Galvão Bueno (Foto: Reprodução / SBT)

Como funciona a escala de locução em Copa do Mundo?

Em grandes coberturas internacionais de direitos de transmissão (como a Copa do Mundo), as emissoras de televisão operam com um plano de contingência e redundância rigoroso.

A escala de locutores obedece a uma hierarquia fixa (narrador 1, 2 e 3) para fins de credenciamento junto à FIFA e distribuição de cabines nos estádios.

Em caso de impedimento médico comprovado de um profissional sênior, a substituição pelo suplente imediato é automática, preservando-se as cotas comerciais e patrocinadores vinculados ao horário nobre da exibição.

Mas, para saber mais sobre Galvão Bueno e suas conquistas, clique aqui*.