Conheça a história dos bastidores políticos entre Mitterrand e Berlusconi que deu origem à primeira TV privada da França, mas que terminou em um rombo milionário

A falência de uma emissora de TV francesa, consumada definitivamente no dia 12 de abril de 1992, encerrou de forma dramática o ciclo do primeiro canal privado de sinal aberto da história da França.

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Trata-se da La Cinq, cuja trajetória durou pouco mais de seis anos e foi marcada por uma sequência de:

  • Manobras políticas;
  • Disputas judiciais;
  • Inovações no jornalismo;
  • Uma crônica de asfixia financeira provocada por investimentos desmedidos.

Mas, para compreender o colapso dessa gigante da mídia europeia, é preciso acompanhar a cadeia de eventos que transformou uma promessa de liberdade em um dos maiores fiascos comerciais do setor audiovisual.

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Logos da findada emissora de TV La Cinq (Foto Reprodução/Montagem/TV Foco/Wiki)
Logos da findada emissora de TV La Cinq (Foto Reprodução/Montagem/TV Foco/Wiki)

Com base em informações do portal Wiki, trazemos todos os acontecimentos que culminaram nesse desfecho trágico e o que ocupou o seu lugar após ela ruir de vez em meio a guerra com rivais.

O tabuleiro político e a gestão Mitterrand-Berlusconi

Tudo começou em 1985, quando, após prever uma derrota nas eleições legislativas, o Partido Socialista francês, liderado pelo presidente François Mitterrand, buscou criar canais comerciais de sinal aberto.

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Foi nesse cenário que o magnata italiano Silvio Berlusconi enxergou a oportunidade de expandir seus negócios na Europa.

Ele uniu forças com investidores locais para fundar a empresa France 5 e pleitear a concessão da nova rede terrestre.

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A fim de garantir a vitória, Berlusconi utilizou suas conexões políticas diretas com o governo.

Porém, toda essa viabilização técnica gerou uma guerra campal com rivais, uma vez que o governo precisou aprovar leis para instalar os transmissores da emissora no topo da Torre Eiffel, contornando proibições locais da oposição.

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François Mitterrand
François Mitterrand (Foto Reprodução/Montagem/YouTube)

Em janeiro de 1986, a força policial precisou intervir no monumento para garantir a instalação dos equipamentos.

Com a estrutura montada, a La Cinq estreou oficialmente na noite de 20 de fevereiro de 1986 com um programa de gala gravado em Milão.

Para manter o canal no ar 20 horas por dia com baixo custo, adotou-se o modelo de reprisar blocos de quatro horas de programação cinco vezes ao dia.

Evolução da audiência

Tanto a instabilidade legislativa como as mudanças de governo foram os principais vetores da sangria financeira da emissora, alterando as permissões de exibição de filmes a todo momento.

Mesmo assim, a audiência teve variações históricas marcantes ao longo dos anos operacionais:

  • 1986 (4,2% de share): Período de lançamento marcado por forte transição regulatória forçada;
  • 1987 (7,3% de share): Entrada de Robert Hersant no comando e ampla reformulação jornalística;
  • 1988 (10,3% de share): Expansão física da rede e cobertura das eleições presidenciais;
  • 1989 (13,0% de share): Pico histórico impulsionado pela cobertura da Revolução Romena;
  • 1990 (11,7% de share): Início da crise financeira e entrada do grupo Matra Hachette;
  • 1991 (10,9% de share): Declínio severo, aplicação de multas pesadas e pré-falência.

O que fez a La Cinq acabar de vez?

Buscando audiência a qualquer custo para estancar o prejuízo, a La Cinq passou a desafiar abertamente os órgãos reguladores, o que resultou em um cerco judicial implacável:

  • Multas por conteúdo: O Conselho de Estado aplicou uma multa de 12 milhões de francos por descumprimento de cotas de produções locais. O canal era punido em dinheiro por cada segundo que ultrapassava o limite comercial;
  • Guerra dos horários eróticos: Após ter exibições censuradas no horário nobre, a emissora desafiou as autoridades ao exibir filmes adultos às 20h30, alcançando picos de audiência;
  • Batalha de direitos autorais: O golpe de misericórdia institucional envolveu a exibição ilegal de uma versão colorizada do clássico cinematográfico The Asphalt Jungle, violando os direitos morais do diretor John Huston.

Sem fundos e proibida de operar, a emissora saiu do ar definitivamente em 1992, deixando uma tela preta histórica na França.

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