Intérprete do inesquecível Conde Klaus enfrentou falência e divórcio aos 75 anos, deixando sua casa para viver sob os cuidados de abrigo carioca

A falência financeira, o trauma de uma separação conjugal e o isolamento em retiro nos últimos anos de vida marcaram o encerramento da trajetória de um dos atores mais consagrados da teledramaturgia brasileira.

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Trata-se de Cláudio Corrêa e Castro, que ficou eternizado na memória afetiva do público como o avarento Conde Klaus na novela Chocolate com Pimenta.

No entanto, após alguns percalços na vida, o veterano perdeu o patrimônio acumulado ao longo de décadas de trabalho, deixou sua residência e acabou acolhido no Retiro dos Artistas, onde viveu até a sua morte.

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Mesmo enfrentando severos problemas de saúde e financeiros, ele deixou um legado inquestionável de mais de 40 anos de carreira e 45 novelas no currículo.

O falecido Cláudio Corrêa e Castro foi um dos moradores do Retiro dos Artistas e morreu na falência (Foto: TV Globo)
Cláudio Corrêa e Castro como o inesquecível Conde Klaus (Foto Reprodução/Globo)

O inesquecível Conde Klaus

Para quem ama novela, o ano de 2003 reservou um dos personagens mais marcantes da faixa das seis da Globo.

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Escalado pelo autor Walcyr Carrasco para interpretar o banqueiro muquirana de “Chocolate com Pimenta”, Cláudio Corrêa e Castro encontrou no papel uma oportunidade de ouro para retornar aos holofotes após um período fazendo participações menores na televisão.

O personagem entrou para a história das tramas de época sob o nome de Klaus Von Burgo:

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Para quem não se lembra, o banqueiro “mão de vaca” aceitava como pagamento de uma dívida de jogo o casamento forçado com a jovem Celina, interpretada pela atriz Samara Felippo, a quem se referia carinhosamente pelo apelido de “cabritinha”.

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Claudio Castro e Hilda Rebello em Chocolate com Pimenta (Foto: Reprodução/Globo)

O núcleo era complementado por acaloradas discussões com sua governanta, Matilde, papel da saudosa atriz Hilda Rebello, além do convívio com os sobrinhos Sebastian (Tarcísio Filho) e Maurício (Victor Pecoraro).

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Além disso, a trama já contou com três reprises na TV aberta e uma exibição marcante pelo canal Viva.

Último trabalho de Cláudio Corrêa:

A despedida definitiva de Cláudio Corrêa e Castro das telas ocorreu no ano seguinte, em uma participação especial na novela Senhora do Destino (2004), escrita por Aguinaldo Silva, na qual deu vida ao advogado Afonso, defensor da personagem Josefa, interpretada por Marília Gabriela.

Separação, dívidas e a crise financeira

Mas, por trás do sucesso nas gravações de Chocolate com Pimenta, quando estava com 75 anos, o ator enfrentava um período de profunda instabilidade pessoal.

Cláudio Corrêa e Castro havia recém-terminado o seu casamento com a fisioterapeuta Myrian Aires, relação da qual nasceram os filhos João Pedro e Gabriel.

Anteriormente, o artista já havia sido casado durante oito anos com a atriz Ileana Kwasinski, com quem teve seu filho Guilherme.

Com formação acadêmica sólida em Belas Artes e Teatro, Castro também foi um dos fundadores do histórico Teatro da Praça, atuante no cenário cultural.

No entanto, o impacto financeiro do divórcio, somado à má gestão de seus ganhos acumulados ao longo da vida, o levou à bancarrota.

Sem condições de manter os custos de vida, o ator teve que deixar a casa onde residia no bairro de São Francisco, em Niterói (RJ).

A vida no retiro

Na mais total falência, sem residência própria nem recursos financeiros, Cláudio Corrêa e Castro encontrou abrigo no Retiro dos Artistas, instituição localizada em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, voltada ao acolhimento de profissionais da classe artística.

Em entrevistas concedidas à imprensa na ocasião, o veterano abriu o coração e explicou com honestidade as razões que o levaram à instituição:

“Tive problemas pessoais graves e não tinha para onde ir, o que me levou a buscar ajuda no Retiro.” Precisava estar num lugar como o Retiro, onde eu não gastasse nada e cuidassem de mim.”

Sem esconder o arrependimento em relação à forma como administrou o patrimônio construído em mais de quatro décadas de trabalho, o ator revelou abertamente o drama das dívidas:

“Sou péssimo administrador. Ganhei muito bem, mas não soube controlar meu dinheiro. Comprava tudo sem pensar. Nunca soube dizer não. As dívidas são as únicas coisas que me atormentam.”

Na instituição, as condições de vida garantiam cuidados essenciais ao artista, como saúde, conforto e as visitas semanais da família.

Quando Cláudio Corrêa e Castro morreu?

Após viver por quase dois anos no Retiro dos Artistas, Cláudio Corrêa e Castro faleceu no dia 16 de agosto de 2005.

O ator, que sofria de quadros crônicos de diabetes e hipertensão arterial, não resistiu a complicações decorrentes de uma cirurgia cardíaca para ponte de safena, vindo a óbito em decorrência de falência múltipla de órgãos.

Sua trajetória permanece gravada na história da cultura nacional como um exemplo de talento cênico e dedicação à arte de interpretar.

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