Relembre a trajetória marcante de Paulo Henrique Amorim na Record, o infarto que chocou o país e o desabafo de sua irmã sobre os bastidores da TV

A Record, bem como o jornalismo brasileiro, registrou uma perda histórica com a morte do apresentador Paulo Henrique Amorim, que faleceu aos 77 anos na madrugada do dia 10 de julho de 2019, na capital fluminense, vítima de um infarto fulminante em sua residência.

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De acordo com o portal NDTV, o falecimento do comunicador ocorreu poucas semanas após ele ter sido afastado do comando do Domingo Espetacular, revista eletrônica da emissora, da qual ele esteve à frente entre 2006 e junho de 2019.

O infarto encerrou uma carreira de quase seis décadas, marcada pela passagem pelos principais veículos do país, forte engajamento político e ampla repercussão no cenário da imprensa nacional.

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O apresentador do Domingo Espetacular morreu dias após ser afastado da revista eletrônica (Foto: Reprodução/ Record TV)
Paulo Henrique Amorim no Domingo Espetacular (Foto: Reprodução/ Record TV)

Afastamento e repercussão familiar

Conforme destacamos, Paulo Henrique Amorim estava fora do ar desde o mês anterior à sua morte, quando foi afastado da apresentação do Domingo Espetacular.

O desligamento das telas da Record se deu em meio ao desconforto gerado junto à direção da emissora por suas frequentes e incisivas críticas de oposição política.

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Em entrevista concedida ao portal UOL na época do sepultamento, sua irmã, Marília, que residia na França, relacionou o estresse decorrente da decisão profissional ao agravamento do estado de saúde do apresentador:

“Falamos pouco porque estava na França. Ele teve vários casos de perder o lugar dele por pressão política. (…) Ele já conhecia isso, mas claro que sempre é um baque forte. Parece que dessa vez foi demais e ele não aguentou.”

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Apesar do desligamento do programa semanas antes, a cobertura do falecimento e os detalhes do velório foram transmitidos pelas equipes de reportagem do portal G1 Rio.

O jornalista deixou a mulher, Geórgia Pinheiro, e uma filha.

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“Conversa Afiada”

Além da carreira na televisão, Paulo Henrique Amorim mantinha o blog Conversa Afiada, espaço no qual atuava como um ativista de esquerda sem igual, defensor das ideias do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e crítico contundente da Operação Lava Jato e do ex-presidente, Jair Messias Bolsonaro.

O jornalista notabilizou-se também por popularizar a sigla “PIG” (“Partido da Imprensa Golpista”), termo ácido, porém cômico, utilizado por ele para classificar veículos de comunicação que, em sua avaliação, apoiavam ações contra os governos da oposição.

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Paulo Henrique Amorim foi afastado do programa por conta das suas convicções e ideais (Foto: Reprodução/ Record)

A morte do jornalista gerou manifestações imediatas de autoridades e lideranças políticas.

A ex-presidenta da República, Dilma Rousseff, declarou em nota:

“Ele deixa a marca de uma atuação digna na denúncia dos retrocessos que o país enfrenta e na defesa da democracia e do estado de direito”.

Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo e candidato à presidência em 2018, classificou-o como um “jornalista altamente comprometido com os interesses nacionais”.

Qual foi a trajetória do Paulo Henrique Amorim?

A trajetória profissional de Paulo Henrique Amorim atravessou os principais momentos da imprensa brasileira desde os anos 60.

Veja abaixo os principais marcos de sua formação e atuação jornalística preservados na história do setor:

  • 1961: Estreia profissional no jornalismo impresso por meio do veículo A Noite;
  • Décadas de 60 e 70: Passagens marcantes pelo Jornal do Brasil e pelas revistas Veja e Realidade, atuando como correspondente internacional em Nova York (EUA);
  • Anos 80 e 90: Atuação como correspondente internacional da TV Globo em Nova York e integrante da escala de âncoras substitutos do Jornal Nacional;
  • 1996: Migração da TV Globo para a Rede Bandeirantes (Band) para assumir novos projetos;
  • 2003 a 2019: Passagem pela TV Cultura e contratação histórica pela TV Record, onde consolidou sua carreira e assumiu a liderança do Domingo Espetacular entre 2006 e 2019.

Como foram as homenagens a Paulo Henrique Amorim?

No domingo seguinte ao falecimento, em julho de 2019, a Record exibiu uma homenagem especial de 12 minutos e 45 segundos no Domingo Espetacular, sem fazer menções diretas ao afastamento do jornalista ocorrido semanas antes.

A abertura da matéria foi conduzida pelos apresentadores da atração na época: “Esta semana o jornalismo perdeu um craque da notícia, nosso colega Paulo Henrique Amorim” – Declarou Patricia Costa.

“Esta morte pegou de surpresa amigos, fãs, a família, todos nós” – Complementou Eduardo Ribeiro, que assumiu a condução do programa na ocasião.

Ao encerrar o tributo, Eduardo Ribeiro convidou os telespectadores a reverem o acervo do jornalista no portal da emissora:

“Nenhum de nós vai se esquecer. Por isso, nesse estúdio aqui, onde ele sempre foi professor, a nossa mais humilde e carinhosa homenagem ao Paulo e à família dele.”

O registro audiovisual da homenagem prestada pela emissora pode ser conferido publicamente no YouTube, conforme podem ver abaixo:

Vale destacar que, atualmente, o Domingo Espetacular é apresentado porCamila Busnello e Roberto Cabrini, indo ao ar todos os domingos, às 19h45, na Record.

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