Lucro da Caixa cai no primeiro trimestre com novas regras do Banco Central

A nova regulamentação do Banco Central começou a afetar o balanço da Caixa. Apesar de continuar liderando o financiamento imobiliário no país e ampliar a concessão de crédito, o banco viu seu lucro despencar no primeiro trimestre do ano.

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Segundo informações da Agência Brasil, a principal razão para a queda está nas novas exigências do Banco Central para cobertura de inadimplência.

Nesta matéria, você saberá:

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  • Lucro da Caixa caiu mais de 34%
  • Impacto da nova regra do Banco Central
  • Principais números do balanço do banco

Lucro da Caixa cai no início de 2026

A Caixa registrou lucro líquido recorrente de R$ 3,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026.

O resultado representa uma queda de 34,4% em comparação com o mesmo período do ano passado.

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Mesmo assim, em relação ao trimestre anterior, houve avanço de 25,4%, mostrando uma recuperação parcial frente ao fim de 2025.

Segundo o balanço divulgado pela instituição, o principal motivo para a redução do lucro foi o aumento expressivo das provisões para perdas com crédito.

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Agência da Caixa (Foto: Reprodução / Globo)
Caixa faz o pagamento do PIS (Foto: Reprodução / Globo)

Nova regra do Banco Central muda cálculo de risco

A mudança nas regras do Banco Central alterou a forma como os bancos precisam calcular o risco de calote.

Antes, as instituições contabilizavam apenas perdas efetivamente registradas. Agora, também precisam considerar perdas “esperadas”, ou seja, estimativas de inadimplência futura.

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Na prática, isso obriga os bancos a separar mais recursos preventivamente, o que reduz o lucro contábil no curto prazo.

Na Caixa, o impacto foi significativo com provisões para perdas saltaram para R$ 6,5 bilhões, resultando no crescimento de 225% em 12 meses.

Banco Central (Foto: Reprodução / Globo)
Banco Central (Foto: Reprodução)

Inadimplência também aumentou

Outro ponto que chamou atenção foi o avanço da inadimplência.O índice chegou a 3,71%, alta de 1,22 ponto percentual na comparação anual.

Apesar do impacto das novas regras, a Caixa manteve expansão na carteira de crédito, que alcançou R$ 1,41 trilhão.

O crescimento foi de 11,3% em relação ao ano anterior e 2,3% na comparação com dezembro.

Caixa segue líder no crédito imobiliário

A carteira imobiliária do banco chegou a R$ 966,2 bilhões, com crescimento de 13,9% em 12 meses.

Hoje, a Caixa concentra cerca de 68% de participação no mercado imobiliário brasileiro, mantendo ampla liderança no setor.

Somente no primeiro trimestre de 2026, foram R$ 64,2 bilhões em novas contratações habitacionais.

Crédito para pessoas físicas

A carteira de crédito para pessoas físicas atingiu R$ 154,9 bilhões, avanço de 10,4% em um ano.

O crédito consignado segue como principal modalidade, somando R$ 114,2 bilhões e representando quase 74% da carteira PF.

Crédito para pessoa jurídica

Já a carteira para empresas alcançou R$ 114,3 bilhões, alta de 8,8% em 12 meses.

Agronegócio

No agronegócio, o saldo da carteira ficou em R$ 64,9 bilhões, com crescimento mais moderado de 2,2%.

Receitas continuam avançando

Mesmo diante da pressão sobre o lucro, algumas áreas continuaram apresentando crescimento:

  • Margem financeira: R$ 18,3 bilhões (+11,8%)
  • Receita com serviços: R$ 7,4 bilhões (+12,5%)
  • Despesas operacionais: R$ 11,5 bilhões (+6%)

A Caixa também apresentou crescimento em seus principais indicadores patrimoniais:

  • Captações totais: R$ 2 trilhões
  • Patrimônio líquido: R$ 153,2 bilhões
  • Ativos totais: R$ 2,4 trilhões

O que diz o banco

Em nota oficial, a Caixa afirmou que o aumento das provisões está diretamente ligado à adaptação às novas exigências regulatórias do Banco Central.

Segundo o banco, isso não significa necessariamente piora na qualidade da carteira de crédito, mas sim uma mudança contábil e preventiva exigida pelo novo modelo regulatório.

A instituição destacou ainda que seguirá ampliando o crédito, principalmente no setor habitacional, considerado estratégico para o banco e para a economia brasileira.