A dipirona faz parte da rotina de milhões de brasileiros. O remédio aparece em farmácias, hospitais e até em kits simples de primeiros socorros. Muitas pessoas recorrem a ele para aliviar dor de cabeça, febre ou dores musculares.

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No entanto, um detalhe costuma surpreender muita gente. Vários países proibiram a venda do medicamento, enquanto o Brasil continua liberando o uso.

Essa diferença levanta uma pergunta frequente. Por que um remédio tão comum no Brasil não pode ser vendido em várias partes do mundo. A explicação envolve decisões médicas, estudos científicos e avaliações diferentes sobre risco.

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A Dipirona é permitida no Brasil com autorização da ANVISA (Foto Reprdução/Uol)

Enquanto alguns países preferiram retirar o produto do mercado, o Brasil decidiu manter o medicamento disponível. Autoridades de saúde analisaram pesquisas e entenderam que o benefício ainda supera os riscos.

A dipirona também recebe outro nome na medicina. Os médicos chamam a substância de metamizol. Esse medicamento atua como analgésico e antitérmico. Analgésico significa que ele reduz ou elimina a dor. Antitérmico significa que ele combate a febre. O remédio surgiu em 1922, na Alemanha, e rapidamente se espalhou por vários países.

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No entanto, alguns estudos começaram a levantar preocupações. Pesquisadores observaram uma possível ligação entre o medicamento e um problema raro no sangue. Essa condição recebe o nome de agranulocitose. Esse termo pode parecer complicado, mas a explicação é simples.

Por que a dipirona é proibida de ser vendida fora do Brasil?

A agranulocitose reduz drasticamente um tipo de célula de defesa do organismo. Essas células são chamadas de granulócitos. Elas ajudam o corpo a combater infecções causadas por bactérias e vírus. Quando o número dessas células cai muito, o sistema imunológico perde força. Em casos mais graves, infecções podem se tornar perigosas.

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Por causa desse risco, alguns países decidiram agir com cautela. Estados Unidos, Japão, Austrália e parte da Europa proibiram a venda da dipirona. Essas decisões ocorreram principalmente entre as décadas de 1970 e 1990. Na época, estudos levantaram suspeitas sobre a relação entre o remédio e casos de agranulocitose.

Muitos estudos posteriores mostraram resultados diferentes. Pesquisas mais recentes indicaram que o risco existe, mas aparece com frequência muito baixa. Algumas análises apontaram cerca de 1 caso da doença para cada 1 milhão de pessoas que usam o medicamento.

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Além disso, pesquisas realizadas na América Latina trouxeram novos dados. Um estudo analisou milhões de pacientes no Brasil, Argentina e México. Os pesquisadores identificaram apenas 52 casos de agranulocitose entre cerca de 548 milhões de pessoas avaliadas. O resultado chamou atenção pela incidência extremamente baixa.

Por fim, o Brasil decidiu seguir outro caminho. Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, conhecida como Anvisa, avaliou os estudos disponíveis. A Anvisa é o órgão do governo responsável por autorizar, controlar e fiscalizar medicamentos no país. Após analisar os dados, a agência concluiu que o medicamento pode continuar disponível.