Artistas quebram barreiras em ambiente tradicionalista do sertanejo, impulsionando o movimento ‘Queernejo’ e conquistando palcos pelo Brasil

O universo sertanejo está passando cada vez mais por mudanças, e sua histórica associação a narrativas heteronormativas e a um ambiente tradicionalista vem perdendo a força e dando espaço para o novo e a diversidade.

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Neste contexto, quatro grandes estrelas da música “saíram do armário” e são assumidamente LGBTQIAPN+: Reddy, Gabeu, Gali Galó e Alice Marcone.

Da cultura drag ao pioneirismo trans, eles desafiam as velhas barreiras do meio caipira e reconstroem a própria estética da música brasileira contemporânea.

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Ao assumirem publicamente suas identidades, sem o receio de retaliações comerciais que silenciaram gerações no passado, os artistas não apenas humanizam suas trajetórias, mas também impulsionam o “Queernejo”, movimento que une a sonoridade caipira e a tradicional moda de viola a narrativas inclusivas de diversidade de gênero e sexualidade.

Mas, com base em informações do portal O Globo e pelas redes sociais oficiais de cada um deles, trazemos mais detalhes sobre a carreira e suas personalidades.

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1. Reddy:

Apontada como uma das principais precursoras do movimento, Reddy (anteriormente conhecida como Reddy Allor) iniciou sua caminhada musical dividindo os palcos em uma dupla sertaneja tradicional ao lado de seu irmão.

A necessidade de expressar sua arte de forma integral a levou à carreira solo, consagrando-se como a grande vencedora do reality show Queen Stars Brasil.

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Sua atuação uniu a riqueza instrumental do sertanejo à grandiosidade e à performance da cultura drag queen.

Após passar por uma transição de gênero e se assumir oficialmente como uma mulher trans, a cantora retirou o sobrenome “Allor” de suas redes sociais e canais oficiais.

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A nova fase de sua vida pessoal e artística foi selada com o lançamento do EP Ao Vivo, Vol. 1, projeto que mistura sertanejo e forró em faixas de alto astral que celebram o amadurecimento, a liberdade criativa e seu processo de transição.

  • O que a cantora Reddy faz em 2026? Em 2026, a cantora Reddy (também conhecida como Reddy Allor) destacou-se no cenário musical ao lançar a nova versão da faixa “Me Devora Remix”. A música entrou para a trilha sonora do filme “15 Dias”. Além disso, a artista se apresentou na 30ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo.

2. Gabeu:

Criado nos bastidores da música caipira por ser filho do cantor Solimões (da dupla Rionegro & Solimões), Gabeu buscou inspirar-se no pioneirismo de Reddy para criar canções que retratassem suas próprias vivências afetivas.

Seu álbum de estreia, Agropoc, furou bolhas de preconceito e conquistou uma indicação histórica ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum de Música Sertaneja.

A trajetória de Gabeu destaca-se também pelo forte apoio familiar. O veterano Solimões declarou publicamente que o afeto e a convivência diária superam barreiras ideológicas, revelando ter percebido com naturalidade a orientação do filho quando ele tinha apenas oito anos de idade.

Gabeu define a postura acolhedora do pai como “fora da curva”.

Gabeu (Foto: Reprodução/ Canal André Piunti, YouTube)
Gabeu (Foto: Reprodução/ Canal André Piunti, YouTube)

Após lançar o EP Rock Bravo, Gabeu alcançou novos marcos consolidados, como levar a sonoridade do Queernejo para o interior de rodeios e festivais de grande porte nos estados de São Paulo e Minas Gerais;

Além disso, ele atua como mentor de novos talentos LGBTQIAPN+ que buscam conquistar seu espaço no mercado sertanejo atual;

  • O que Gabeu faz em 2026? Em 2026, o cantor e compositor Gabeu mantém-se ativo nas redes sociais, comemorando suas vivências pessoais, artísticas e comentando sobre a cena sertaneja.

3. Gali Galó:

Gali Galó traz a representatividade não-binária para o centro do debate sobre a música sertaneja.

Ao se identificar fora do binarismo de gênero, Gali cruza o sertanejo com a MPB e o brega nacional.

O reconhecimento da crítica veio com seu disco homônimo, eleito pela Folha de S. Paulo, como um dos melhores álbuns do ano de 2023.

Gali Galó lançou o EP visual “de VOLTa”, projeto gravado em uma residência que combina música e audiovisual em uma narrativa sobre memória e pertencimento.

O trabalho marca a estreia da banda Quarta Pele, formada por artistas transmasculinos, e culminou em uma apresentação especial realizada no Sesc SP (unidade Sesc Ribeirão Preto).

Gali Galó
Gali Galó (Foto Reprodução/Instagram/@gali.musica)
  • O que Gali Galó faz em 2026? Em 2026, Gali Galó participou de forma especial em um music camp (encontro de criação coletiva) no MIS (Museu da Imagem e do Som) de Ribeirão Preto (SP).

4. Alice Marcone:

Por fim, temos o nome de Alice Marcone, que cravou seu nome na história como a primeira cantora e compositora abertamente transexual a despontar na música sertaneja.

Suas composições utilizam a estrutura clássica da “sofrência”, do amor e do empoderamento, combinando arranjos de cordas tradicionais a batidas contemporâneas do pop.

Em entrevistas, a artista destaca que o objetivo central do grupo é criar representação estética a partir de contextos rurais e urbanos, normalizando as vivências LGBTQIAPN+.

Alice Marcone
Alice Marcone (Foto Reprodução/Instagram/@alice.marcone)

Alice consolida sua forte presença no audiovisual e na cultura nacional por meio de duas frentes:

Ela trabalhou como atriz protagonista no longa-metragem“Eu Vou Ter Saudades de Você”, além de atuar como roteirista de projetos audiovisuais e mentora de novos roteiristas na instituição Roteiraria, mantendo sua atuação pioneira na música e na dramaturgia.

  • O que Alice Marcone faz em 2026? Em 2026, a roteirista, atriz e cantora Alice Marcone colhe os frutos de seu recente trabalho no longa-metragem citado acima. O filme encerra a trilogia do diretor e é estrelado por Alice, ao lado de Gabriel Lodi, e que teve sua estreia mundial no festival BFI Flare.

O que é o Queernejo?

Conforme citamos acima, o Queernejo é a fusão entre o termo queer (conceito que abrange expressões de gênero e sexualidades dissidentes) e o sertanejo, batizando oficialmente uma subcultura de acolhimento na música nacional.

O movimento é impulsionado por artistas que nutrem paixão genuína pelas modas de viola e pelo cotidiano do interior, mas que historicamente não encontravam representatividade nas letras convenientes do gênero.

Com o suporte e a expansão das redes sociais nas últimas décadas, a distância entre esses criadores e o grande público encurtou, abrindo espaço para quatro trajetórias que marcam época no mercado fonográfico.

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