Lucas Lucco revela os três diagnósticos que recebeu, faz forte desabafo sobre a exaustão e admite que enfrenta uma fase difícil
O cantor Lucas Lucco voltou a falar publicamente sobre sua saúde mental e trouxe novos detalhes sobre os desafios que enfrenta durante participação no videocast “Podshape”, apresentado por Juju Salimeni e Diogo Basaglia, na LeoDias TV.
Durante a conversa, o artista revelou que recebeu os diagnósticos de Transtorno Afetivo Bipolar (TAB), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e superdotação, além de já ter sido diagnosticado anteriormente com Síndrome de Burnout.
Ao explicar como essas condições afetam sua rotina, Lucas Lucco contou que convive com uma exaustão intensa, oscilações de humor e uma necessidade constante de acompanhamento psiquiátrico. O cantor também afirmou que ser uma pessoa neurodivergente torna esse processo ainda mais complexo, já que diferentes características e sintomas podem acontecer ao mesmo tempo.

Durante o bate-papo, Lucas Lucco explicou que precisou aprender a reconhecer seus próprios limites depois de enfrentar períodos muito difíceis provocados pela combinação entre trabalho intenso e problemas de saúde mental.
O cantor afirmou que desenvolveu um vício em adrenalina, situação que o levava a manter uma rotina acelerada e extremamente desgastante. Segundo ele, essa busca constante por produtividade fazia com que ignorasse sinais claros de que seu corpo e sua mente precisavam de descanso. Em determinado momento, o esgotamento ficou tão intenso que ele recebeu o diagnóstico de Burnout, condição relacionada ao estresse crônico provocado principalmente pelo excesso de trabalho.
O que é a Síndrome de Burnout? Trata-se de um transtorno caracterizado pelo esgotamento físico e emocional, geralmente associado a uma rotina profissional muito intensa e prolongada. Entre os sintomas mais comuns estão o cansaço extremo, a dificuldade para realizar tarefas simples, a perda de motivação e a sensação de incapacidade para continuar trabalhando.
Lucas Lucco afirmou que esse período o obrigou a rever completamente sua forma de lidar com a carreira e com a própria saúde, reconhecendo que seguir ignorando esses sinais poderia trazer consequências ainda mais graves. Além disso, ele destacou que o tratamento psiquiátrico e o acompanhamento de outros profissionais passaram a fazer parte da sua vida de maneira permanente.
A revelação de Lucas Lucco também trouxe espaço para falar sobre depressão, condição que o cantor disse enfrentar ao longo da própria trajetória. Durante a entrevista, ele contou que, por muito tempo, tentou esconder o sofrimento emocional atrás de uma rotina intensa de exercícios físicos e da preocupação em manter um corpo considerado ideal.
Segundo o artista, essa estratégia fazia parecer que tudo estava bem, quando, na realidade, ele enfrentava dificuldades que poucas pessoas conheciam. Lucas Lucco explicou que a pressão da carreira, a fama e a autocobrança acabaram agravando esse cenário. Em vez de reconhecer que precisava diminuir o ritmo, ele continuava assumindo compromissos e tentando corresponder às expectativas do público e do mercado, comportamento que aumentava ainda mais o desgaste emocional.
Ao comentar sobre o Transtorno Afetivo Bipolar, conhecido pela sigla TAB, Lucas Lucco deixou claro que convive com oscilações de humor que exigem acompanhamento especializado. O transtorno provoca mudanças importantes no estado emocional da pessoa, alternando períodos de maior energia ou euforia com fases de tristeza profunda ou desânimo intenso. Essas alterações variam de intensidade e frequência conforme cada paciente, motivo pelo qual o tratamento precisa ser individualizado e acompanhado por profissionais da saúde mental.
O cantor explicou que compreender o próprio diagnóstico foi um passo importante para entender comportamentos que antes pareciam não ter explicação e para adotar estratégias que ajudassem a manter maior equilíbrio na rotina.

Outro diagnóstico citado por Lucas Lucco foi o TDAH, sigla para Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade. Apesar do nome ser bastante conhecido, muitas pessoas ainda associam o transtorno apenas à dificuldade de concentração.
Na prática, ele também pode provocar impulsividade, inquietação, dificuldade para organizar tarefas e problemas para manter o foco durante atividades do dia a dia. Quando essas características aparecem junto com outros transtornos, como o TAB, o tratamento pode se tornar mais complexo. O cantor afirmou que essa combinação exige acompanhamento psiquiátrico constante e um cuidado ainda maior para evitar que períodos de estresse agravem os sintomas.
Além desses diagnósticos, Lucas Lucco revelou que possui superdotação. Muitas pessoas acreditam que a superdotação representa apenas facilidade para aprender, mas essa condição pode envolver desafios importantes.
Pessoas superdotadas costumam apresentar raciocínio muito rápido, elevada capacidade de aprendizagem e intensa sensibilidade emocional. Em alguns casos, também enfrentam dificuldades para lidar com excesso de estímulos, frustrações e cobranças internas.
Durante a conversa, o cantor explicou que essa característica faz parte da forma como seu cérebro funciona e influencia diretamente sua maneira de perceber o mundo, de trabalhar e de lidar com situações de grande pressão. Segundo ele, compreender esse aspecto ajudou a enxergar melhor os desafios que enfrentou ao longo da carreira.
Ao longo da entrevista, Lucas Lucco também explicou que conviver com diferentes diagnósticos exige mudanças permanentes na forma de administrar a própria rotina. Segundo o cantor, existem dias em que os sintomas aparecem com mais intensidade, tornando tarefas que parecem simples muito mais difíceis de executar. Por isso, ele afirmou que o acompanhamento psiquiátrico deixou de ser uma medida temporária e passou a fazer parte da sua vida.
O artista ressaltou que entender o funcionamento da própria mente foi essencial para reduzir a culpa que carregava durante os períodos de maior dificuldade. Em vez de enxergar essas fases como falta de força de vontade, ele passou a compreender que se tratam de condições de saúde que precisam de tratamento e acompanhamento profissional.
Outro ponto destacado por Lucas Lucco foi a importância de falar abertamente sobre saúde mental. Durante muitos anos, artistas evitavam compartilhar esse tipo de assunto por medo de críticas ou de prejudicar a própria carreira. Hoje, porém, cada vez mais pessoas conhecidas utilizam seu espaço para incentivar o debate e combater preconceitos relacionados aos transtornos mentais.
Ao contar sua experiência, o cantor demonstrou que fama, sucesso profissional e reconhecimento do público não impedem ninguém de enfrentar problemas emocionais. A mensagem também reforça que procurar ajuda médica e psicológica representa um ato de cuidado consigo mesmo, e não um sinal de fraqueza.

O relato chamou atenção justamente porque mostrou que os desafios enfrentados por Lucas Lucco não se limitam aos momentos em que sobe ao palco. Segundo o artista, o maior desgaste muitas vezes acontece nos bastidores, durante viagens, gravações, compromissos e toda a logística necessária para manter uma carreira artística em ritmo intenso. Esse cenário ajuda a entender por que o Burnout atingiu sua rotina de forma tão severa.
O transtorno costuma surgir quando o estresse relacionado ao trabalho permanece por muito tempo sem controle, provocando esgotamento físico, emocional e mental. Em muitos casos, a pessoa perde a motivação, sente dificuldade para realizar atividades do dia a dia e percebe uma queda significativa na qualidade de vida.
Ao encerrar o assunto, Lucas Lucco reforçou que continua priorizando o equilíbrio entre carreira e saúde. O cantor deixou claro que aprendeu a reconhecer seus limites e entende que preservar o bem-estar é tão importante quanto cumprir compromissos profissionais. Seu depoimento também amplia o debate sobre saúde mental entre homens, tema que ainda enfrenta resistência por causa de estigmas sociais.
No fim da entrevista, Lucas Lucco resumiu o sentimento que viveu ao enfrentar esse período difícil e descreveu o impacto da exaustão em sua rotina: “É horrível.”
Confira a entrevista completa:
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