Análise de psiquiatra detalha dinâmica de controle e privilégios de caráter duvidoso na residência da ex-parlamentar
Flordelis dos Santos de Souza, ex-deputada federal e pastora condenada a 50 anos e 28 dias de reclusão pelo assassinato do marido, o pastor Anderson do Carmo, teve fatos expostos que mostram uma complexa engrenagem de manipulação, além de uma rígida hierarquia de favores questionáveis dentro de sua antiga residência.
A afirmação de que os filhos eram obrigados a manter relações com ela para obter privilégios básicos foi revelada em detalhes por meio de um depoimento inédito feito pela médica psiquiatra e escritora Ana Beatriz Barbosa.

A análise técnica aponta para um histórico de abusos incestuosos, que contrasta diretamente com a imagem pública de líder religiosa e benfeitora que ela sustentou por décadas.
Essas graves denúncias de abusos, documentadas em investigações e detalhadas pela especialista, revelam que a enorme família de aproximadamente 50 filhos, composta por membros biológicos, adotivos e afetivos, era submetida a um sistema de divisão por categorias.
Para ascender socialmente dentro da residência e ter acesso a itens básicos de sobrevivência, como alimentação adequada, os jovens do sexo masculino eram forçados a manter relações com Flordelis, desenhando assim um cenário de violência psicológica e física que antecedeu o assassinato do pastor no dia 16 de junho de 2019.
A hierarquia do abuso:
Em entrevista concedida ao podcast Inteligência LTDA, em 2024, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa trouxe a público detalhes sobre a dinâmica que regia a rotina dos filhos da detenta.
Vale mencionar que a médica relatou ter estranhado o perfil da ex-deputada muito antes de o crime vir à tona:
“A Flordelis, eu não tenho dúvida de que ela tem um pezinho da psicopatia. Uma vez eu estava vendo um programa de televisão bastante conhecido, num sábado, e aí estava uma exaltação dessa mulher. Eu falei: ‘Gente, quem é essa mulher?’ E parei. Mulher, mãe de 50. Falei: ‘Não, tem alguma coisa errada’. Tem alguma coisa errada, porque uma pessoa com 50 filhos vai estar numa instituição. Você não bota dentro de uma casa, porque a pessoa não tem condições.”
A psiquiatra apontou que o início do relacionamento de Flordelis com Anderson do Carmo já apresentava contornos de desvio dinâmico e manipulação familiar:
“Achei suspeito… Aí depois você vai ver que ela conheceu o Anderson, o marido que ela matou. O garoto tinha 15 anos. É um dos adotados. [O garoto] que começou a namorar uma das filhas dela, com 15 anos. E aí, depois, ele vai, larga a filha e fica com a mãe. E ela ficou com o garoto quando tinha 15 anos.”
A revelação mais alarmante da especialista descreve a organização da casa em diferentes níveis de tratamento, em que as exigências íntimas funcionavam como uma espécie de “pedágio” de sobrevivência:
“A casa era separada em categorias. Tinha categoria 1, 2 e 3. Quem tinha acesso à comida… Porque o nível 1, por exemplo, que eram os adotados, entre aspas, porque na opção que não foi adotado, foi sequestrado, só tinha direito a pão e água. Aí, no segundo nível, já tinha direito a alguma comida. Aí, pra passar pro terceiro nível, tinha um ritual. Se fosse menino, tinha que transar com ela.”
A análise técnica da psiquiatra conclui que as relações dentro do clã eram pautadas exclusivamente por controle:
“Flordelis, ela é muito maquiavélica. Eu não conheço o Anderson, mas também não acho que seja santo. Não estou aqui defendendo; não se mata e ponto. Mas tudo é uma disputa de poder.” – Finalizou ela.
Relembre o crime:
- 16 de junho de 2019: O pastor Anderson do Carmo é assassinado a tiros na garagem da casa da família, em Niterói (RJ). Inicialmente, familiares sustentaram a tese de latrocínio (roubo seguido de morte);
- Agosto de 2020: A Polícia Civil e o MPRJ concluem o inquérito, apontando Flordelis como a mandante do crime. O assassinato teria sido motivado por disputas financeiras e pelo rígido controle que Anderson exercia sobre a administração dos bens da família e da igreja;
- Novembro de 2022: Após julgamento popular no Tribunal de Júri de Niterói, Flordelis é condenada a 50 anos e 28 dias de prisão em regime fechado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, tentativa de homicídio duplamente qualificado, associação criminosa armada e falsidade ideológica;
- Condenação de Simone: Na mesma ocasião, Simone dos Santos Rodrigues, filha biológica de Flordelis, é condenada a 30 anos de reclusão por envolvimento direto no plano de execução e tentativa de envenenamento do padrasto.
Como está Flordelis em 2026?
Os bastidores recentes da vida de Flordelis na Penitenciária Talavera Bruce, no Complexo de Bangu (RJ), revelaram um profundo racha familiar motivado por questões de saúde e finanças.
Aos 65 anos, a ex-deputada enfrenta diagnósticos de depressão, ansiedade, episódios de convulsão, desmaios, dores crônicas na coluna e no quadril, insônia e severas oscilações de humor.
De acordo com o portal O Globo, a crise explodiu publicamente após o vazamento de áudios enviados por WhatsApp pelo genro de Flordelis, o barbeiro Valter Porto (50 anos, casado com Simone dos Santos Rodrigues).
Valter acusa o atual namorado da pastora, o produtor musical Allan Soares (26 anos), de negligência afetiva e financeira.

Nos áudios, Valter cobra ajuda para custear exames, fisioterapia e medicamentos para a ex-deputada:
“Você não coça a p… do bolso. Não movimenta para marcar ortopedista, fisioterapeuta. Amor não são palavras. Amor é cuidado. (…) Ela teve que tomar quatro dipironas para parar a dor. (…) A mulher precisando de remédio de pressão e você até hoje não veio buscar a receita.”
O genro de Flordelis também acusa o jovem produtor de se aproveitar da imagem pública da detenta para obter projeção digital:
“Você quer usar a imagem da minha sogra. Você é vagabundo. Vive uma vida ‘prostíbula’, fumando maconha, bebendo. Você engana aqueles que não te conhecem. Ninguém era conhecido nessa p… antes de se aproximar da Flordelis. Você não cuida de uma senhora idosa de 65 anos, mas vive postando declaração de amor na internet.”

Valter também acusa Allan de focar em ganhos financeiros da pastora, como uma indenização judicial de R$ 10 mil recebida após ela vencer um processo contra a ex-patroa de um de seus filhos.
Em declaração ao jornal O Globo, Valter Porto reiterou os ataques:
“É um canalha. Demonstra interesse apenas em dinheiro e na exposição pública gerada pelo relacionamento dele com a deputada. Eu nunca abandonei minha esposa na cadeia. Dou amparo moral e financeiro. Já a Flordelis está abandonada por esse crápula.”
A defesa técnica de Flordelis, exercida na época do início do namoro pela advogada Janira Rocha, já havia expressado ressalvas sobre o relacionamento devido à vulnerabilidade emocional da ex-parlamentar:
“Esse questionamento só se faz por homens porque a Flordelis é mulher e a diferença de idade entre ela e o Allan é de 39 anos. Sempre fui contra esse namoro. Mas a Flordelis está mergulhada numa depressão sem fim. Ter alguém para ampará-la é fundamental. Pena que o Allan se mostrou um aproveitador.”
Por sua vez, Allan Soares, que costuma publicar declarações passionais nas redes sociais, esquivou-se das acusações de Valter.
Por fim, em uma das publicações de aniversário dedicadas a Flordelis em suas redes sociais, Allan havia reforçado seu carinho pela ex-parlamentar, ignorando as críticas dos familiares e afirmando que o sentimento entre os dois permanecia inalterado diante das adversidades.
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