Globo: Astro do Zorra Total morreu aos 66 anos por infarto fulminante

Astro de Zorra Total morreu aos 66 (Foto Reprodução/Montagem/TV Foco/Lennita/Canva/Globo)
Intérprete de Seu Flor e Rolando Lero morreu no auge do sucesso, deixando um grande sentimento de saudades na Globo
O humorismo brasileiro viveu um dos capítulos mais marcantes e dolorosos de sua história com a perda de Rogério Cardoso, astro do Zorra Total e protagonista de A Grande Família, da Globo.
De acordo com o portal G1, o ator morreu aos 66 anos, vítima de um infarto fulminante.
A notícia que abalou o país e paralisou os bastidores da emissora ocorreu no auge de sua popularidade, quando o comediante brilhava como o inesquecível Epitáfio no humorístico semanal e interpretava o carismático Seu Flor no seriado das quintas-feiras.

A partida precoce e inesperada do veterano deixou o elenco completamente devastado, forçando a emissora a quebrar protocolos na época para prestar uma histórica homenagem ao artista.
Santinha e Epitáfio
Como mencionamos, entre os anos de 1999 e 2003, Rogério Cardoso integrou o elenco fixo do programa Zorra Total, protagonizando um dos momentos de maior audiência e repercussão do humorístico ao lado da inesquecível e também saudosa atriz Nair Bello.
No quadro “Santinha e Epitáfio”, os dois veteranos do humor construíram uma química impecável e aclamada pelo público.
Rogério dava vida a Epitáfio, um marido preguiçoso que fazia de tudo para evitar o trabalho e fugir de suas obrigações diárias, mas morria de medo da esposa, Santinha, a esposa que descia o sarrafo, sem hesitar, por meio de tiradas rápidas, cômicas e afiadas.
A sintonia entre a malandragem de Epitáfio e as respostas prontas de Santinha consagrou a dupla como um dos pontos mais altos da atração nas noites de sábado.
Vale dizer que nem mesmo a atriz, durante as gravações, aguentava as palhaçadas do ator e acabava deixando o riso sair em meio à cena, deixando tudo ainda mais cômico.
Um triste adeus
A trajetória do artista foi interrompida na manhã de uma quinta-feira, 24 de julho de 2003, exatamente o dia da semana em que A Grande Família ia ao ar no horário nobre.
Rogério Cardoso faleceu enquanto dormia em sua casa, localizada no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro.
Embora o humorista sofresse de problemas cardíacos crônicos, tendo passado por uma cirurgia de ponte de safena nove anos antes e pela colocação de um stent em fevereiro daquele mesmo ano de 2003, sua saúde era considerada estável pela família e pelos médicos.
Na noite anterior à sua morte, o ator havia gravado normalmente uma cena para o seriado.

Segundo o diretor Maurício Faria, o clima nos bastidores era de total descontração, lembrando que Rogério estava muito feliz, bem-disposto e brincando com os colegas de equipe.
A notícia do infarto fulminante pegou a produção de surpresa na manhã seguinte e deixou os colegas de elenco completamente devastados.
Como o grupo não tinha condições psicológicas de gravar, a Globo cancelou a exibição do episódio inédito que iria ao ar naquela noite.
Em seu lugar, a emissora exibiu um programa especial de homenagem, aberto pelos próprios atores de cara limpa e visivelmente emocionados.
Na ocasião, o ator Marco Nanini, intérprete do genro Lineu, expressou a dor da equipe em um take especial gravado antes da exibição dos melhores momentos do humorista.
Veja no vídeo abaixo:
Posteriormente, o corpo do artista foi trasladado e sepultado no cemitério municipal de Mococa, no interior de São Paulo, sua amada terra natal.
Origens
Nascido em 7 de março de 1937, Rogério Cardoso era o primogênito de uma família de cinco irmãos.
Sua ligação com a arte começou na adolescência, quando fez sua primeira apresentação musical cantando no coreto da praça central de Mococa.
Aos 15 anos, já trabalhava em uma rádio local como locutor e criador de suas primeiras esquetes cômicas.
Na juventude, mudou-se para a cidade de Ribeirão Preto com o objetivo de cursar a faculdade de odontologia, mas abandonou o curso após dois anos de estudo ao perceber sua verdadeira vocação para os palcos, estreando oficialmente no teatro em 1958.
Além de atuar, Rogério era um músico talentoso que tocava violino e violão, atuando também como compositor de marchinhas de Carnaval e canções humorísticas.
Como foi a trajetória de Rogério Cardoso na TV?
Ao longo de cinco décadas dedicadas à arte, Rogério Cardoso trabalhou nas principais emissoras de televisão do país. Ele acumulou marcas expressivas em seu currículo, que reuniu cerca de 40 peças de teatro, 8 programas de humor de grande audiência, 4 novelas, 7 séries e 8 filmes no cinema.
Na Escolinha do Professor Raimundo, deu vida ao eterno estudante malandro e bajulador que contracenava com Chico Anysio e imortalizou o bordão “Captei Vossa Mensagem, Amado Guru!”.
Como citado, “A Grande Família” conquistou o país como o pai de Nenê, que vivia dormindo no sofá da sala, namorando escondido e disputando espaço com o genro Lineu.
Na dramaturgia, sua atuação dramática e bem-humorada na minissérie Hilda Furacão, em 1998, lhe rendeu o prêmio de Melhor Ator de Televisão pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA).
Extremamente versátil e focado em sua formação pessoal, o artista graduou-se em Direito no ano de 1983 e atuou na política carioca como suplente de vereador no final dos anos 90.
Em uma de suas últimas entrevistas sobre a profissão, o veterano resumiu sua jornada com orgulho ao declarar que foi muita luta e muito suor, mas que começaria tudo de novo, com certeza.
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