Falência: O triste fim de supermercado com 224 lojas que foi destruído por crise
Relembre a história de supermercado tradicional, com 224 lojas, que decretou falência após crise bilionária; Veja os bastidores da queda.
Com 224 filiais e mais de 22 mil colaboradores no auge, o gigante do varejo alimentício foi sufocado pelos planos Cruzado e Collor
Para quem acompanha a história das grandes marcas e do comércio brasileiro, a trajetória das Casas da Banha, uma das redes mais tradicionais, representa um capítulo marcante na modernização do consumo urbano.
Fundada oficialmente na cidade do Rio de Janeiro no ano de 1955 por visionários empresários que identificaram uma grave lacuna no abastecimento das cidades, a rede nasceu com uma proposta totalmente inovadora para a época.
Diferente dos tradicionais e acanhados armazéns de secos e molhados da metade do século XX.
A empresa profissionalizou o setor de supermercados ao implementar lojas amplas e com um sistema de autoatendimento organizado.
A estratégia de negócios baseava-se em:
- Focar em produtos de primeira necessidade;
- Oferecer um destaque especial para carnes de alta qualidade;
- E, ainda assim, a preços extremamente competitivos no mercado.
A falência decretada de forma definitiva em março de 1999 selou o triste fim das Casas da Banha, após:
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- Uma agressiva estratégia de expansão aliada a um alto endividamento;
- Cenário severamente agravado pelos impactos macroeconômicos devastadores dos planos federais que paralisaram o país.
Pois é, o gigante do varejo alimentício com 224 lojas e mais de 22 mil colaboradores, acabou completamente destruído pela crise econômica.
A derrocada de toda a estrutura deu-se no desenrolar de uma história pioneira de 41 anos no comércio de alimentos.
O ápice comercial, a parceria com o Chacrinha e a expansão nacional
Durante a década de 70, as Casas da Banha atingiram o ápice de sua popularidade e alcance nacional ao realizar uma das estratégias de marketing mais emblemáticas da história da televisão brasileira.
A rede tornou-se a patrocinadora master do programa comandado por Abelardo Barbosa, o eterno Chacrinha, exibido na antiga TV Tupi.
Com o fluxo de caixa fortalecido pelo sucesso de vendas no Estado do Rio de Janeiro, a diretoria deu início a um ambicioso plano de capilarização de mercado.
A marca expandiu suas operações com força total para o Estado de São Paulo, abrindo unidades estratégicas na capital paulista e na agitada região do ABC, além de avançar rumo ao Estado de Minas Gerais, cobrindo importantes praças comerciais do interior e também da capital mineira.
Em seu período de pico operacional, a rede estruturou um império que contava com mais de 220 lojas ativas no país e empregava uma força de trabalho superior a 22 mil colaboradores diretos.
A derrocada
No entanto, a derrocada da gigante varejista decorreu da exposição severa aos desajustes e choques econômicos que marcaram o Brasil entre as décadas de 80 e 90.
De acordo com o portal Wiki, o primeiro grande golpe veio com o anúncio do Plano Cruzado, em 1986.
Com o congelamento geral de preços promovido pelo governo federal, a rede, que operava com margens de lucro mínimas para manter os valores baixos para o consumidor, ficou totalmente impossibilitada de repassar a inflação galopante de seus custos operacionais cotidianos.
Essa defasagem crônica corroeu o fluxo de caixa de forma acelerada.
A situação tornou-se definitivamente insustentável com a chegada do Plano Collor, em 1990, que promoveu o confisco dos depósitos bancários e das cadernetas de poupança em todo o território nacional.
Sem liquidez financeira imediata, a empresa viu-se incapaz de honrar compromissos básicos, com:
- Quitar as folhas de pagamento de seus milhares de funcionários;
- Saldar as compras pendentes junto à indústria fornecedora de alimentos.
Quando a rede Casas da Banha faliu de vez?
Sem condições financeiras para passar por uma reestruturação operacional, acumulando dívidas milionárias e apresentando prateleiras completamente desabastecidas, a diretoria da empresa protocolou o pedido formal de autofalência em 1992,.
Dando início assim a um complexo e arrastado processo de desintegração patrimonial.
Grande parte das lojas originais do grupo foi alienada ou vendida para redes concorrentes que ganhavam força na época.
As unidades restantes, assim como bens e investimentos de luxo pertencentes à holding familiar, foram lacrados pela Justiça.
A decretação judicial definitiva da falência das Casas da Banha ocorreu oficialmente em março de 1999.
Processo de uma sentença histórica lavrada pelo então juiz de direito Luiz Felipe Salomão.
Registros históricos do setor, relembrados em publicações do Jornal Tribuna de Petrópolis e documentados em registros de arquivos públicos, detalham a fragmentação da rede.
Após o encerramento definitivo, as centenas de filiais espalhadas pelo Brasil tiveram destinos bastante variados:
- Os amplos imóveis foram rapidamente absorvidos por redes concorrentes do setor de supermercados;
- Os quais reaproveitaram a infraestrutura existente para expansão;
- Ou foram convertidos em diversos estabelecimentos do comércio de rua local.
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