Relembre a trajetória das Casas da Banha, o império do varejo alimentício que faliu após os impactos dos planos Cruzado e Collor

E o desfecho dramático da Casas da Banha, a rede de supermercados mais tradicional do RJ e que também dominou São Paulo, foi marcado pela falência após 41 anos de história e uma trajetória pioneira no segmento.

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Em suma, a rede sucumbiu devido a uma estratégia de expansão agressiva que gerou endividamento, severamente agravada pelos impactos macroeconômicos devastadores dos Planos Cruzado (1986) e Collor (1990).

Supermercados Casas da Banha entrou em falência (Foto: Reprodução)
Supermercados Casas da Banha (Foto: Reprodução/Arquivo)

Sob as regras de congelamento de preços e confisco de ativos, a empresa perdeu a liquidez necessária para honrar seus compromissos, culminando na sua autofalência em 1992 e no decreto judicial definitivo de falência emitido em março de 1999.

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Com base em informações do portal Wiki, trazemos os desdobramentos desse colapso.

A ascensão e o sucesso avassalador das Casas da Banha

Fundada oficialmente no Rio de Janeiro em 1955 por empresários que identificaram uma lacuna no abastecimento urbano, a Casas da Banha surgiu com uma proposta inovadora para a época:

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  • Focar em produtos de primeira necessidade, com destaque para carnes de qualidade a preços altamente competitivos;
  • Diferente dos tradicionais e acanhados armazéns de secos e molhados da metade do século XX, a empresa profissional levou o varejo de alimentos ao implementar lojas amplas e com autoatendimento organizado.

Na década de 70, a Casas da Banha atingiu o ápice de sua popularidade nacional ao realizar uma das maiores jogadas de marketing da história da televisão brasileira.

A rede de supermercados tornou-se a patrocinadora master do programa do apresentador Abelardo Barbosa, o eterno “Chacrinha”, exibido na antiga TV Tupi.

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Com o caixa robustecido pelas vendas no Rio de Janeiro, a diretoria iniciou um ambicioso plano de capilarização de mercado nos estados de São Paulo (capital e região do ABC) e Minas Gerais.

Em seu período de maior operação, a rede chegou a contar com mais de 220 lojas ativas e mais de 22 mil trabalhadores.

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O plano que arrasou com tudo

A derrocada da gigante varejista decorreu da exposição severa aos desajustes econômicos das décadas de 1980 e 1990:

  • O Plano Cruzado (1986): Com o anúncio do congelamento geral de preços pelo governo federal, a Casas da Banha, que operava com margens mínimas, ficou impossibilitada de repassar a inflação de custos operacionais, corroendo o fluxo de caixa;
  • O Plano Collor (1990): A situação passou a ficar totalmente insustentável com o confisco de depósitos bancários e poupanças. Sem liquidez financeira imediata, a rede viu-se incapaz de quitar as folhas de pagamento de seus funcionários e de saldar as compras junto à indústria de alimentos.
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Jornal Tribuna de Petrópolis relembra história da Casas da Banha, em publicação de 2000 (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/Tv Foco/Facebook/Tribuna de Petrópolis

Quando a Casas Bahia faliu de vez?

Sem condições de reestruturação operacional, dívidas milionárias e com as lojas desabastecidas, a diretoria da empresa protocolou o pedido de autofalência em 1992, dando início a um complexo processo de desintegração patrimonial.

Grande parte das lojas originais do grupo foi alienada ou vendida a concorrentes. As unidades restantes foram lacradas pela Justiça, bem como outros bens e investimentos de luxo que pertenciam à holding, marcando o fim definitivo da marca de varejo.

A decretação judicial definitiva da falência da Casas da Banha ocorreu oficialmente em março de 1999, proferida por meio de sentença lavrada pelo então juiz de direito Luiz Felipe Salomão.

O que ficou no lugar da Casas da Banha?

Vale destacar que, com a falência e o encerramento das operações da rede Casas da Banha, as centenas de filiais que a empresa possuía pelo Brasil tiveram destinos variados.

Não houve um padrão único de ocupação, mas o cenário mais comum foi a transição desses amplos imóveis para novos usos comerciais.

Em grande parte dos casos, os espaços foram rapidamente absorvidos por redes varejistas concorrentes, que aproveitaram a infraestrutura existente para expandir sua presença, ou foram convertidos em diversos estabelecimentos de comércio de rua.

Assim, a marca desapareceu do mercado…

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