Falência da Globo é algo desejado por muitos, mas é quase impossível de acontecer com R$ 14 bi em cofre
Tv Foco mostra hoje atrizes brasileiras dos anos 1990 já chegaram aos 50 anos, mas continuam arrancando suspiros por onde passam.
Muitos foram as desafios da Globo, mas diversos pontos garantem a longevidade da emissora na casa dos brasileiros
Gigante, imponente e bilionária: a Globo é a maior emissora da América Latina e se impõe sem muitos esforços contra as suas principais concorrentes. A emissora sempre se envolveu em questões políticas, e durante o mandato de Jair Bolsonaro se tornou a principal inimiga do ex-presidente e de seus principais aliados.
Ao longo dos últimos quatro anos, a empresa carioca virou alvo de inúmeras fake news que davam conta de sua suposta falência, que seria algo iminente e sem chances de recuperação. Bolsonaristas transformaram o canal em um símbolo de ódio e constantes ataques, principalmente sobre seus representantes, como os jornalistas que trabalham nas ruas.
O que é muito necessário dizer para todas as pessoas que desejam e esperam pela falência da Globo é que isso está muito longe de acontecer. É algo praticamente impossível, visto os movimentos que a emissora fez nos últimos anos, além dos lucros, que constantemente vêm à tona na imprensa.
Um dos parâmetros para medir o sucesso do canal é que mesmo que esteja marcando baixa audiência com “Travessia”, a Globo continua imperando como líder e sem perspectivas de ser ultrapassada por qualquer outra concorrente. Mesmo quando algo está ‘fracassando’, a emissora continua marcando números maiores que qualquer outro canal no mundo.
LUCROS E PREJUÍZOS
No início de 2022, o canal marcou um prejuízo de R$ 173 milhões em relação a 2021. No primeiro trimestre, entretanto, o lucro foi de R$ 367 milhões, de acordo com dados do mercado. Os efeitos da pandemia fizeram com que a empresa tivesse imprevistos e precisasse se reafirmar no mercado, mas rapidamente tudo voltou ao seu devido lugar.
Em 2020, a dívida de emissão de bônus foi de R$ 5,4 bilhões, contra R$ 3,7 bilhões do ano anterior. Esse aumento está relacionado à desvalorização do real em relação ao dólar naquele ano. O Grupo Globo, por sua vez, fechou com faturamento de R$ 14,4 bilhões.
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Somente no ano passado, foram negociadas quase 20 cotas de patrocínio para o “BBB23”. Mesmo com um fracasso de repercussão na edição passada, a emissora projetou todas as suas fichas na nova temporada, que apesar de ter baixa audiência, é um sucesso comercial. A Globo teve ganho de R$ 1 bilhão somente através de anunciantes, sendo o programa mais lucrativo da emissora.
A maioria desses lucros foi por conta própria, mediante a sua relevância, diferentemente do que pensam alguns conspiracionistas. Em 2007, a Globo recebeu R$ 707 milhões em publicidade do Governo de Lula. Com Bolsonaro, perdeu 60% desses ganhos. De qualquer forma, o ex-chefe do Executivo renovou a concessão do canal no último minuto do segundo tempo.
Bolsonaro decretou guerra contra a emissora no período eleitoral (Foto: Reprodução/TV Globo)
CONCESSÃO RENOVADA
Muito cogitou sobre a possibilidade do antigo presidente penalizar a empresa de comunicação, a quem ele considerava uma potencial inimiga. Foram várias promessas sobre o fim de uma suposta “mamata”. “Gastos com publicidade nesses veículos, que chegavam a bilhões, caíram drasticamente”, garantiu Bolsonaro no Twitter, no ano passado.
Na mesma ocasião, o político acusou o canal de apoiar Lula: “É compreensível a Rede Globo torcer e trabalhar pela volta do ladrão. Quem é roubado é o povo, não ela, e quem fatura é ela, não o povo”.
Um banho de água fria nos apoiadores do presidente aconteceu. Seria praticamente impossível cancelar a concessão da emissora só porque só por causa da implicância do presidente e de seus aliado. Para o Governo encerrar uma concessão, a empresa precisa cometer infrações gravíssimas.
No Brasil, a legislação resguarda as liberdades jornalísticas e de expressão das detentoras de concessões de rádio e televisão. A Constituição também exige a aprovação de, no mínimo, dois quintos do Congresso Nacional para que uma emissora perca a autorização pública de funcionamento, caso um presidente tome a decisão de não renovar.
SUCESSO NO STREAMING
Um outro ponto importante para comprovar o sucesso da Globo e sua longevidade no mercado está relacionado ao sucesso no streaming. Finalmente o Globoplay engatou na produção incessante de documentários, séries e especiais que prendem o público e repercutem nas redes sociais. O projeto que resgata catálogos de títulos antigos também é um chamativo.
A platinada garantiu aumentos significativos de assinantes entre 2021 e 2022. No segundo semestre de 2021, a plataforma registrou um aumento de 68% de público, de acordo com a coluna de Guilherme Ravache, do Splash. O Grupo registrou um aumento de 50% nos lucros do ano em 2022 somente com o sucesso do streaming, segundo o Notícias da TV.
Elenco de “Todas as Flores”, novela de sucesso no streaming (Foto: Divulgação/Globoplay)
O maior ponto para o Globoplay, no entanto, é o sucesso da novela “Todas as Flores”. A primeira novela original e exclusiva para o streaming conseguiu furar a bolha de noveleiros e tomou conta das redes sociais, com repercussão positiva e cenas que chamaram atenção de todos que estavam receosos de acompanhar uma novela que não passasse na TV aberta.
Um dos pontos negativos para a Globo em 2022 foi a exibição da Copa do Mundo. Mesmo vendendo R$ 1 bilhão em cotas de patrocínio, a conta não fechou. O valor para exibir os jogos da Fifa no ano passado foi de US$ 90 milhões, o equivalente a quase R$ 500 milhões. Taxas de exclusividade encareceram esse valor e prejudicaram a emissora.
O que mais se gastou para exibir as disputas que deram vitória à Argentina foi com custos de produção e transmissão. Foi necessário gastar para enviar equipe, hospedagem, alimentação e contratação de infraestrutura para mandar o sinal ao Brasil. A platinada até reduziu equipe e otimizou gastos, mas para um evento desse porte, algumas medidas não mudaram tanto a conta no final.
MUITO CARA
Toda a grade de programação da Globo funciona como uma vitrine para anunciantes, e isso não é segredo para ninguém. O horário mais caro é o “Jornal Nacional”, e para conseguir colocar seu produto no break é necessário desembolsar R$1.774.200,00 por alguns minutos. Na novela das 21h, o valor sobe para R$ 1.755.800,00, segundo o Observatório da TV.
Nenhuma outra emissora cobra um valor semelhante para anunciar em seus intervalos comerciais. Desde os anos 1960, anunciar na platinada é sinônimo de retorno certeiro. Por outro lado, a emissora só fatura e enche mais os cofres da família Marinho.
William Bonner e Renata Vasconcellos no “Jornal Nacional” (Foto: Reprodução/Instagram)