Dívida de R$85M: Fábrica de móveis entra em falência no Brasil
Saiba o que rolou com fábrica tradicional de móveis; Veja a carta aberta dos trabalhadores e os prazos para a venda da fábrica na Serra Gaúcha
Com dívida de R$ 85 milhões e falência decretada, funcionários de tradicional fabricante de móveis se unem em Monte Belo do Sul para salvar empregos
Uma tradicional e relevante fábrica de móveis teve sua falência decretada pela Justiça após contrair uma dívida milionária.
Trata-se do Grupo Ditália, fundado na década de 90 em Bento Gonçalves e instalado em Monte Belo do Sul, na Serra Gaúcha, cuja quebra deflagrou uma forte mobilização social e jurídica.
De acordo com o portal Gazeta RS, diante do colapso, cerca de 100 trabalhadores da tradicional fabricante de móveis se uniram e enviaram uma carta aberta em defesa de seus empregos e da continuidade das atividades.
Montanha de dívidas
Ainda de acordo com o portal, a derrocada da empresa se deve ao acúmulo de um passivo financeiro estimado em R$ 85 milhões.
A sentença foi proferida pelo juiz André Dal Soglio Coelho, do Tribunal de Justiça Estadual do Rio Grande do Sul, que transformou a recuperação judicial em falência após a assembleia geral de credores rejeitar o plano de reestruturação.
Diante do veredito, os funcionários organizaram-se para contestar o encerramento do processo.
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No documento, a categoria manifesta profunda preocupação com o futuro e pede a revisão da sentença para evitar severos impactos econômicos e sociais em Monte Belo do Sul e região.
Fábrica segue operando e defesa vai recorrer
Apesar da decretação da falência, as linhas de produção não fecharam as portas imediatamente. Por determinação do administrador judicial, a operação segue funcionando em ritmo regular, medida que mantém os salários dos 101 trabalhadores em dia, assim como os pagamentos a fornecedores.
Vale dizer que essa trajetória de dificuldades financeiras da companhia arrasta-se há mais de uma década, visto que o grupo já havia recorrido à recuperação judicial em duas oportunidades:
- A primeira em 2015;
- A segunda em 2021 (sendo este último pedido indeferido por falta de requisitos legais).
Inconformada com essa decisão, a defesa do Grupo Ditália confirmou que apresentará recurso às instâncias superiores contra a sentença.
O advogado da empresa, Thiago Crippa Rey, criticou o posicionamento de uma das alas de credores e defendeu que o fim da reestruturação causará prejuízos financeiros aos próprios credores e aos trabalhadores:
“Há uma irracionalidade econômica no voto da classe trabalhista. Mais de 60% dos credores, considerando todas as classes, já foram pagos à vista e sem qualquer desconto.”
O que deverá acontecer com os ativos da Ditália?
A fim de evitar a desvalorização dos ativos, o administrador judicial Augusto Moreira Neto estruturou a venda de todo o parque industrial.
O processo ocorrerá por meio de uma Unidade Produtiva Isolada (UPI), modelo que permite a venda das fábricas e equipamentos sem que o comprador herde as dívidas anteriores:
- Prazo para propostas: Investidores interessados podem apresentar ofertas formais até o dia 30 de setembro de 2026;
- Negociação direta: Será realizada caso apenas um investidor apresente proposta válida dentro do prazo;
- Leilão judicial: Ocorrerá caso duas ou mais propostas sejam submetidas, visando elevar o valor final da alienação.
Qual é a história do Grupo Ditália?
Conforme citamos no começo deste texto, a história do Grupo Ditália teve início na década de 90, no município de Bento Gonçalves.
A princípio, ela iniciou com a produção artesanal de estofados em um pequeno galpão de apenas 70 metros quadrados.
O crescimento impulsionou a expansão do negócio para Monte Belo do Sul.
Ao longo de sua trajetória no mercado nacional, a empresa consolidou-se como uma das marcas mais tradicionais do polo moveleiro do estado.
Inclusive, chegou a empregar aproximadamente 600 trabalhadores no auge de sua capacidade.
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