Detran-SP divulga balanço de multas aplicadas no primeiro semestre em São Paulo
O Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) revelou que a principal infração cometida pelos motoristas paulistas em 2026 não está relacionada ao excesso de velocidade ou ao avanço de sinal vermelho.
Segundo os dados do Detran-SP, a irregularidade que mais resultou em atuações foi deixar de realizar a transferência de propriedade do veículo dentro do prazo estabelecido pela legislação.
Nesta matéria, você saberá:
- A infração mais registrada no primeiro semestre de 2026
- Foram aplicadas 478.835 multas por falta de transferência da propriedade do veículo dentro do prazo legal
- Infração é considerada grave
- Detran-SP reforça que manter a documentação do veículo em dia é obrigação prevista no CTB
Infração é considerada grave e gera pontos na CNH
A infração ocorre quando o novo proprietário compra ou recebe um veículo, mas não regulariza a transferência em até 30 dias.
Além de descumprir uma exigência legal, a situação pode gerar diversos transtornos, como problemas para licenciar o veículo, dificuldades em futuras vendas e responsabilidade por multas ou débitos vinculados ao antigo proprietário.
Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), deixar de efetuar o registro do veículo no prazo legal é uma infração grave. As penalidades incluem:
- Multa de R$ 195,23
- 5 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH)
- Obrigatoriedade de regularizar a situação do veículo

Detran-SP divulga número de multas
Entre janeiro e junho, o Detran-SP aplicou mais de 1,5 milhão de multas em todo o estado.
Segundo o Detran-SP, somente entre janeiro e junho deste ano foram registradas 478.835 multas por esse motivo.
As cinco infrações mais frequentes foram:
- Deixar de transferir a propriedade do veículo em até 30 dias: 478.835 multas
- Conduzir veículo sem o licenciamento anual regularizado: 184.407 multas
- Dirigir sem utilizar o cinto de segurança: 85.153 multas
- Manusear telefone celular enquanto dirige: 81.106 multas
- Avançar o sinal vermelho do semáforo: 43.872 multas

Número de multas segue elevado
Até o fim de junho, o estado de São Paulo já havia registrado 1.545.293 atuações, cerca de 44% de todas as multas aplicadas durante o ano de 2025.
Confira a evolução dos registros nos últimos anos, segundo dados do Detran-SP:
- 2026: 1.545.293 (até junho)
- 2025: 3.496.793
- 2024: 3.700.131
- 2023: 2.908.276
- 2022: 2.329.950
- 2021: 1.547.963
- 2020: 1.147.414
Como funciona a transferência de propriedade
O Código de Trânsito Brasileiro determina que a transferência de propriedade deve ser realizada em até 30 dias após a compra ou doação de um veículo.
O procedimento inclui a emissão da Autorização para Transferência de Propriedade do Veículo (ATPV-e), além da quitação das taxas e, quando necessário, da realização da vistoria.
Em São Paulo, o processo pode ser feito presencialmente em unidades do Detran-SP e do Poupatempo, além de contar com etapas disponíveis de forma digital, tornando o procedimento mais rápido e prático para os proprietários.
Caso a transferência não seja realizada dentro do prazo, o novo dono fica sujeito às penalidades previstas em lei e poderá enfrentar dificuldades para regularizar a documentação do veículo futuramente.

Especialista rebate discurso da “indústria da multa”
Em entrevista ao portal G1, o engenheiro de trânsito Horácio Augusto Figueira, o alto número de multas administrativas não significa que exista uma “indústria da multa” em São Paulo.
Na avaliação do especialista, manter a documentação em dia é uma obrigação de todo o proprietário.
Ao mesmo tempo, Horácio defende que a fiscalização deve concentrar esforços principalmente nas infrações que representam maior risco à vida, como excesso de velocidade, desrespeito à sinalização e direção perigosa.
“O motorista tem que estar com sua documentação em dia. Isso é fato. Mas o foco das fiscalizações não pode ser multa administrativa. Nós vivemos uma barbárie no trânsito na cidade de São Paulo e no estado. Todo fim de semana é uma tragédia que choca a sociedade. Então, o foco tem que ser na segurança. Quem fala que existe uma indústria da multa em São Paulo nunca ficou parado 10 minutos num cruzamento para ver a quantidade de infrações subnotificadas, por falta de fiscalização”, declarou.
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