Âncora do Jornal Nacional morreu poucas horas antes de completar mais um aniversário e a história comoveu o público

A morte do âncora Berto Filho, um dos nomes mais conhecidos da televisão brasileira nas décadas de 1970 e 1980, marcou o fim da trajetória de um profissional que ajudou a construir a história do telejornalismo nacional. Conhecido por ocupar a bancada do Jornal Nacional, o comunicador enfrentou uma longa batalha contra o câncer antes de morrer no Rio de Janeiro, em 12 de março de 2016, apenas algumas horas antes de completar 76 anos de idade.

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A notícia emocionou colegas de profissão, familiares e telespectadores que acompanharam sua carreira durante anos. A âncora da notícia foi justamente a coincidência entre a data da morte e a proximidade do aniversário, fato que tornou a despedida ainda mais marcante para quem conhecia sua história. Ao longo da carreira, Berto Filho conquistou respeito pela postura séria diante das câmeras, pela voz firme e pela credibilidade que transmitia em cada apresentação.

Mesmo após deixar a bancada dos principais telejornais da TV Globo, o âncora continuou sendo lembrado como uma importante âncora do jornalismo brasileiro, participando de diferentes projetos até que os problemas de saúde passaram a limitar sua rotina.

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Berto Filho foi vítima de câncer na garganta - (Foto: Reprodução / Internet)
Berto Filho foi vítima de câncer na garganta – (Foto: Reprodução / Internet)

Muito antes de enfrentar a doença, o âncora Berto Filho já havia consolidado uma carreira extensa na televisão. Nascido no Rio de Janeiro, ele trabalhou em diversos programas jornalísticos e se destacou principalmente por apresentar edições do Jornal Nacional, além do Jornal Hoje, do Fantástico, do RJTV e de outros telejornais importantes da emissora.

Sua passagem pela Globo ocorreu durante um período de crescimento da televisão brasileira, quando a figura do apresentador transmitia segurança e credibilidade ao público. Por isso, muitos telespectadores ainda lembram de Berto Filho como uma âncora que representava equilíbrio e profissionalismo diante das notícias mais importantes do país.

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Depois de deixar a Globo, em 1986, ele também passou por outras emissoras e voltou anos depois para atuar como locutor do Fantástico, demonstrando que sua voz continuava sendo uma das mais reconhecidas do jornalismo televisivo. Sua experiência acumulada ao longo de décadas fez dele uma referência para profissionais que chegaram às redações nos anos seguintes.

Os problemas de saúde começaram a ganhar espaço na vida do jornalista durante os últimos anos de sua carreira. Inicialmente, ele enfrentou um câncer no fígado, conseguiu superar essa fase e voltou a trabalhar. No entanto, algum tempo depois recebeu um novo diagnóstico, desta vez de um câncer na garganta.

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A doença evoluiu e acabou atingindo também o cérebro, reduzindo suas condições físicas e tornando o tratamento cada vez mais difícil. Mesmo diante das limitações, familiares relataram que ele manteve a serenidade durante boa parte da luta contra a enfermidade.

Âncora Berto Filho (Reprodução/TV História)
Âncora Berto Filho (Reprodução/TV História)

Outro momento difícil ocorreu após a morte da esposa, Marisa, com quem viveu por décadas. A perda abalou profundamente o jornalista, que passou a enfrentar não apenas os desafios da doença, mas também mudanças importantes em sua vida pessoal.

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Sem condições de manter a rotina anterior e necessitando de cuidados constantes, Berto Filho passou a morar no Retiro dos Artistas, instituição localizada em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. O local acolhe profissionais das artes e da comunicação que precisam de assistência médica, moradia e acompanhamento diário. Essa mudança aconteceu quando seu estado de saúde já exigia atenção permanente.

Nos últimos dias de vida, Berto Filho permaneceu internado no Instituto Nacional de Câncer, conhecido pela sigla INCA. O que é o INCA? Trata-se de um hospital público especializado na prevenção, no diagnóstico, no tratamento e na pesquisa sobre diferentes tipos de câncer. A instituição é referência nacional nessa área e atende pacientes de diversas regiões do país.

Foi ali que médicos acompanharam a evolução do quadro clínico do jornalista até sua morte, registrada na tarde de 12 de março de 2016. Segundo o filho mais velho, Henry Lelot, Berto Filho morreu de forma tranquila, enquanto dormia, poucas horas antes da comemoração preparada pela família para celebrar seu aniversário de 76 anos. A notícia rapidamente repercutiu entre colegas de profissão, que prestaram homenagens ao comunicador e destacaram sua importância como âncora do telejornalismo brasileiro.

A repercussão da morte foi imediata entre jornalistas, antigos colegas e profissionais que trabalharam ao lado do âncora Berto Filho ao longo de sua carreira. Diversas homenagens destacaram não apenas sua competência diante das câmeras, mas também seu comportamento nos bastidores.

Marcos Hummel, que dividiu a bancada de diferentes telejornais com ele, afirmou que Berto representava uma geração de jornalistas que ajudou a consolidar o telejornalismo brasileiro. Segundo Hummel, eles tiveram a oportunidade de atuar em um período importante para a televisão nacional e compartilharam experiências que marcaram a história da comunicação no país.

Celso Freitas também lamentou a perda e afirmou que o câncer havia silenciado uma das vozes mais marcantes da televisão brasileira. As declarações reforçaram o respeito conquistado pelo jornalista durante décadas de atuação.

O filho mais velho, Henry Lelot, também revelou detalhes emocionantes sobre os últimos anos de vida do pai. Segundo ele, Berto Filho sofreu uma sequência de acontecimentos difíceis. Depois de vencer um primeiro tratamento contra o câncer, viu a doença retornar de forma mais agressiva, justamente após enfrentar a morte da esposa, Marisa, companheira de mais de cinco décadas.

Henry contou que o pai nunca conseguiu superar completamente essa perda. Para ele, o impacto emocional acabou contribuindo para o agravamento da saúde. Em entrevista, afirmou que acreditava que o pai havia partido em paz e que agora estaria novamente ao lado da mulher que tanto amava. Essas palavras emocionaram muitas pessoas que acompanharam a despedida do jornalista.

Mesmo durante o tratamento, Berto Filho não abandonou totalmente sua ligação com o jornalismo. Enquanto vivia no Retiro dos Artistas, ele dedicou parte do tempo à escrita de uma autobiografia chamada “Trevo de Quatro Folhas”.

A obra reunia lembranças pessoais, histórias da televisão brasileira e ensinamentos acumulados ao longo de muitos anos de profissão. Henry Lelot revelou que o pai conseguiu concluir o livro, mas não teve tempo de publicá-lo. Antes de morrer, pediu ao filho que levasse o projeto adiante.

Henry prometeu cumprir esse desejo, afirmando que considerava a publicação uma forma de preservar a memória do pai e apresentar às novas gerações a trajetória de um profissional que fez história como âncora de importantes telejornais brasileiros.

Ânocra do Jornal Nacional morreu em asilo após câncer terminal (Foto: Divulgação)
Ânocra do Jornal Nacional morreu após câncer terminal (Foto: Divulgação)

A carreira de Berto Filho atravessou diferentes fases da televisão brasileira. Além do Jornal Nacional, ele participou da apresentação do Jornal Hoje, do Fantástico, do RJTV, do Painel e, mais tarde, trabalhou em emissoras como TV Rio, Rede Manchete, SBT e RedeTV!. Em 2004, voltou à Globo para assumir novamente a locução das reportagens do Fantástico, função que desempenhou até 2008.

Essa trajetória mostrou sua capacidade de adaptação às mudanças do jornalismo televisivo e consolidou sua imagem como uma âncora respeitada dentro e fora da emissora. Ao longo de décadas, sua voz se tornou facilmente reconhecida por milhões de brasileiros que acompanhavam diariamente os principais noticiários do país.