"Ficaram chocados": Astro da Grande Família revelou reação dos pais ao assumir que é gay

Astro de A Grande Família revela como foi se assumir gay (Foto Reprodução/Montagem/Lennita/TV Foco/Canva/Globoplay/Globo)
Astro de “A Grande Família” deu uma lição de coragem ao resgatar memórias do passado. Saiba o que o intérprete de um dos personagens mais icônicos da trama revelou e o que ele faz agora em 2026
Se você acompanhou a série “A Grande Família”, da Globo, nos anos 2000, com certeza deve ter uma memória afetiva com os personagens que compunham a família Silva. Dentre eles, temos o patriarca Lineu (Marco Nanini), que, apesar de ter uma personalidade certinha e até mesmo conservadora, encantou milhares de telespectadores.
No entanto, longe de toda essa personalidade “quadrada” do personagem, Marco Nanini revela facetas bem mais complexas na vida real. Isso porque ele carrega consigo o eco de uma revelação potente, a qual, de certa forma, serviu como um grito de liberdade para ele na época.
Trata-se da lembrança da reação dos seus pais quando ele decidiu assumir a eles que é gay. Memórias, inclusive da década de 60, uma época em que o preconceito era muito maior e muito mais dilacerante do que nos dias atuais.

Além disso, Nanini relembrou que a necessidade de ser transparente com a família surgiu ainda na adolescência. Para ele, manter a homossexualidade em segredo dentro de casa seria uma quebra de confiança que ele não estava disposto a sustentar.
Sendo assim, com base em informações do portal CNN e das redes sociais oficiais do ator, trazemos abaixo mais sobre essas revelações e o que o ator faz em 2026.
“Não podia enganá-los”
Marco Nanini explicou que, ao entender sua orientação sexual, o respeito pelos pais falou mais alto que o medo da repressão da época.
Ele sentia que a honestidade era uma dívida de gratidão com aqueles que o criaram.
“Não dava para eu ser gay e meus pais não saberem. Sentia que tinha uma responsabilidade, um respeito; não podia enganá-los. Eles ficaram chocados, mas, no fundo, não tive problemas” – Disse ele.
Essa base familiar, embora inicialmente estremecida pelo susto, permitiu que o ator construísse sua carreira sem os fantasmas da dissimulação privada.
No entanto, o posicionamento público e político só viria décadas depois, motivado por um crime de ódio na Avenida Paulista que o retirou de sua zona de conforto pessoal.

Um ato de resistência
Mas essa revelação, a qual foi feita em 2025, serviu como preparação para um marco em sua trajetória: Sua primeira participação na Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo.
Na ocasião, Nanini justificou sua presença no evento pelo tema daquele ano, que foi “Envelhecer: Memória, Resistência e Futuro”, e pela necessidade de representatividade para a terceira idade.
Ao comentar sua decisão de subir no trio elétrico, o ator usou de humildade e autocrítica para explicar por que decidiu se expor:
“Não tenho um caráter expansionista, divertido… Acho que, assim como cientistas, pintores, medalhistas, médicos, pode ser bom mostrar que também tem gays como eu, uma pessoa bem comum. Estarei na Parada para mostrar que não tem problema nenhum ser gay.”
Nanini, que se autodefine como um “pré-dinossauro” na luta do movimento, relembrou que o estopim para falar publicamente de seu relacionamento de longa data com o produtor Fernando Libonati, em 2011, foi o choque ao ver um jovem agredido com lâmpadas fluorescentes:
“Vou ter que me posicionar, tenho que dizer que eu não gostei disso e por que eu não gostei disso” – Afirmou ele à época.
O que Marco Nanini faz em 2026?
Agora, Marco Nanini demonstra que a sua “resistência” se traduz em trabalho incessante e vigor artístico.
O ator estreou na última semana o espetáculo “Fim de Partida”, de Samuel Beckett, no Teatro Paulo Autran, em São Paulo.
A peça é um mergulho profundo na condição humana e na finitude, em que Nanini divide a cena com um elenco estelar composto por Helena Ignez, Guilherme Weber e Ary França.
Para o público que o acompanha, ver Nanini no palco hoje é testemunhar a vitória de um homem que enfrentou o choque dos pais há mais de 60 anos para se tornar uma das vozes mais autênticas, respeitadas e livres da arte brasileira.
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